Era
uma Quinta-Feira monótona e fria de inverno, quando o despertador toca às 6:00 da
manhã, igual todo dia. Eu levanto, tomo uma ducha quente, me visto e saio para
trabalhar. Às vezes, em dias assim, em que nada acontece, eu fico me
questionando qual seria o sentido? Por que continuar?
Pela trigésima vez, eu vi meu coração ser partido em
trezentos mil pedaços e já estou cansada de ficar catando cacos.
Na noite anterior, fui dormir afogada em lágrimas,
enquanto sentia cada célula do meu corpo se corroer. Sempre sinto demais,
sempre.
Quando nós nos conhecemos, era primavera, o clima era
agradável e seco, erámos jovens e cheios de esperanças, estávamos em um dos
barzinhos que fica nos arredores da faculdade, nossos olhares se encontraram em
meio às canecas de chopp e as 2:45 da manhã você me beijou.
Tudo tomou proporções inimagináveis e quando percebi você
já estava todo dia dormindo na minha casa. Parece que faz tanto tempo, mas não
faz. Foi tudo rápido e intenso.
Sabe do que eu mais sinto falta? Daqueles dias quentes de
verão, em que ficávamos simplesmente sem fazer nada enquanto seus dedos
formavam linhas retas pelas minhas costas e eu sentia aquele arrepio, parece
que meu corpo já me avisava para não se entregar, mas é disso que eu sinto
falta, de estar pela primeira vez ignorando todos os padrões, sinais, avisos e
estar simplesmente sentindo.
Quando a decepção chegou, eu já sabia que você não iria
mais fazer parte da minha vida, já pressentia que aquele seria o ponto final.
Já era Outono e parecia que as coisas não faziam mais sentido. Não consigo
encontrar o ponto onde falhamos. Eu não consegui perceber o abismo que ser
formava entre nós dois, quando vi já era tarde demais.
O inverno chegou,
e com ele esta neblina densa e fria. Era um dia frio e monótono como este, mais
ou menos às 19:00, saindo do trabalho, cruzei a esquina daquele barzinho em que
nos conhecemos e te vi. Enquanto dava aquele sorriso abobado e acariciava
lentamente as mãos de outra pessoa. Eu nem vi quem estava com você. Pouco importa.
Fiquei destruída.
Você simplesmente me substituiu. Eu não desejo sua
infelicidade. Pelo contrário, desejo que você seja feliz. Neste ano, marcado
pelas estações, eu quero que se lembre apenas daquele verão, de como as coisas
eram tão fáceis e de quando seu sorriso bobo pertenceu apenas a mim.
Rosa Cristina Vargas


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